segunda-feira, 29 de novembro de 2010



Soldados. Armados. Saudando o sol a nascer, o calor do suar, o cansar do ser. Preparam-se ao novo dia, à nova guerra, ao novo monte de mortos e torres de mortos. Cavalgam pelo ar à procura dos verbos que mais exalam o frescor da morte e podridão do pecado da carne atraente aos urubus. Ao descer dos céus, seus pés nem notam ao tocar o chão. Parece música desritimada o passar dos cavaleiros. Quando as flechas ofuscam o céu, tudo parece ser cubista, e o reflexo é fragmentado nas faces desarmadas, indefesas. A guerra. À guerra. Tudo se dispõe ao seu fervor. Parece que há fogo em tudo, e falta um pouco dentro do ser. Tudo é tão exterior, e tudo é tão irreal. Lutemos. Até o fim. O fim dos dias épicos que nos trarão de volta no futuro de nossa história.



Selamos segredos saturados de imaginação. Segregamos nosso medo do corpo, do ser e da alma. Variamos entre preto e branco e arco-íris. Vendamos os olhos. Vejo suas pupilas dilatadas e dotadas de desprezo. Desprezo este que não satisfaz seu endereço sentimental. Desprezo que não te pertence e que marca a dentes a aura negra iluminada. Seus diminutivos não enganam. Sua força é maior e menor que tudo que há. Seu amor está entre ser e ter, querer, viver e esquecer. E saber te descrever é um dom que apenas quem lhe abraçou é capaz.



Rebeldia não é destruição. Destruição não precisa ser exatamente ruim. Rebeldia não é ruim. Nada é tão relevante, quanto relevar o seu passado, elevar-se ao extremo, e se revelar um novo ser. Destrua-se. Cate os bons cacos. Queime-os. Pegue os ruins e releia-os. Alguns serão úteis. Então, presentei-se com um banho no mar gelado. Deixe o céu cair. Destrua tudo que sente, não acredite em nada que vê ou ouve. Renove-se sendo um despertador da fúria, que toca todo dia em horários diferentes. Rebele-se contra o que é imposto bom pra você. Procure no lixo seu cordão umbilical. Beba o liquido do esgoto. Coma com os ratos. Fareje com os ratos. Saiba o que te faz, o que te fez. Saiba o futuro que constrói. Saiba que você é fruto das árvores mortas. Há em seus ombros um destino que alguém quer que sigas. Aonde chegar? A sua felicidade é criada e educada para ser dócil. Enquanto eles fazem o que querem.



Lovely lonely life, behind the curtains, behind our certain. Does it carry us or we have to drag it between the dream and the freedom? The wind came from the window and touches my face like the destiny saying to me: swim over the sky, you’re just a child, a boy, one more guy. Don’t worry. Today we can’t but tomorrow we’ll see.



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sábado, 13 de novembro de 2010

Our Vancity



Vadiamos tanto por ruas das quais nem sei nome. Fomos felizes num sonho datado, de início e fim. Éramos tão pequenos para uma cidade tão grande. Éramos tão pequenos para alegria tão grande. Estávamos saturados de coisas boas, rodeados por um ar puro, fresco e gélido, quase vivo, de um toque suave e delicioso. As línguas estranhas e exteriores, fora da boca faziam tão mais sentido. As luzes da cidade apagadas ainda me presenteavam com a lua cheia. As arvores do parque à frente balançavam como quem dizia welcome e goodbye sem sentido ou direção e ao mesmo tempo, pois a todo instante estava chegando e indo, meu tempo ia embora e eu chegava a mais um lugar novo. A calma acalentava o espírito. O uivo dos coiotes causava arrepios. Os agasalhos às vezes não eram suficientes. O céu nublado parecia carregado, mas ainda puro. E quando o sol se abria por entre as nuvens, ah, que delícia. A chuva constante irritava? A alguns sim, a mim trazia uma vontade de correr e abrir a boca e soprar pra ver a fumacinha saindo da boca. Os amigos essenciais, também foram um sonho, ficaram por lá, apenas quem sonhou comigo, continua comigo. Apenas quem sonhou comigo talvez sinta-se ao ler.

Suor perdido em tempos sagrados



Nos fazemos de suor, fazemos o tempo ser sagrado e só nos agrada quando todo o tempo do mundo para só para nos ver passear de mãos dadas, mas a quanto tempo este não paramos? O tempo nos faz perder e talvez não tenhamos mais ele de sobra, talvez não possamos mais nem nos perder nele, sempre em frente, não muda de direção! E se pudéssemos viajar mais rápido que ele quando sonhamos? Acordaríamos e teríamos de volta o tempo que passou? Nada disso importa, o sol pode não estar ali, a manhã pode estar cinza e a tempestade de qualquer cor, nada nos impede de criar nosso próprio tempo, nós o temos e ele nos tem. Pode apagar as luzes, me abraça forte, assim me sinto tão mais jovem de novo e então ao seu lado posso dormir e ser senhor dos nossos domínios.

Ps.: Legenda da foto: Owner of a lonely heart



O septo sangra, jorra


Do céu escorre xorume


Em um estado natural do pesado ar


Um mar agitado, girando pescadores


Pobres, horrores, externos, sem fim.

Mas é claro!



Ao anoitecer, a noite de luar ilumina os proveitos de sua beleza. Clareia o casal na areia cheio de regalias sexuais e satisfações casuais. Banha de brilho mais um sentimento à carne. Banha de brilho mais um fruto da carne. Nasce pequena e quase invisível. Cresce e acalenta até o mais desprezível. A Lua não distingue nada, só reflete tudo que por ela passa. Todos os encantos e desperdícios. Ora te deixa mais feliz ora te deixa mais triste. Ora te ilumina ora te esquece. Nunca nos aquece, mas nos dá a certeza de que amanhã o astro maior chegará para cobrir o céu.



O mundo tem uma única face e varias máscaras. Cave-as, rasgue-as, mastigue. E quando retirar os óculos escuros perceberá que o mundo tem olhos brancos.



Mortais me desprezam por minha força interior ser maior que a do universo. Serei o tempo de volta, a partícula regreção ao ponto inicial e de volta a expansão. Causarei a vida, serei rei e Deus, criarei tudo e de tudo serei um pouco. Estarei em tudo e em todos, e tudo estará em mim. E quem sabe se um dia achar um universo paralelo eu case e assim trocamos saturnos? Uma nova era está por vir, “o futuro não é mais como era antigamente”.

Taciturno 2



As pessoas passam e olham e esquecem. Perdem-se. Os cigarros acendem e apagam. Acabam-se. A noite continua.



Sou servo de ti, e cativo a cada dia mais um sorriso de canto de boca, quem sabe de tanto junta-los, um dia terei um mosaico de teus sentimentos expressos.



Um dia soube o valor das palavras, das criticas, dos filmes, das músicas, dos sabores, dos caretas, das caretas e sorrisos, dos insanos e insensatos e dos termos árcades. Hoje, só sei o valor de um sentimento, e ainda confuso.



Escondo-me atrás da camisa encardida ao avesso, troco os pés dos sapatos e as letras da língua, me viro de ponta cabeça. Faço e desfaço, me arremesso e não caio. Não concluo nada e nada me inclui. Não durmo nem fumo, às vezes bebo goles de vergonha, mas mesmo assim não consigo me expressar claramente, e claro, só você não entende.

Zona de desconforto



Estamos cansados de ser sensatos, queremos a zona de risco, de desconforto. Queremos o ar rarefeito e o raro efeito de simplesmente sentir. Queremos a comida azeda, o pão amassado, a pele queimada, os ombros e os olhos vermelhos, a coluna torta, o dente quebrado, a unha lascada, os lábios secos e as aftas no beijo. Queremos as danças mais insanas e as doenças mais cruéis. Queremos tudo só para evitar estar bem.

*



A falta é o que os compõe por completo, a sede o que os sacia, a dor o que os causa prazer. Tremores sísmicos no estômago é só fome. Assim é uma alma de quem teme ser feliz.

Taciturno 1



Noite, noites. Madrugadas adentram. Dentre prazeres e lembranças. Mais uma noite. Mais uma noite a esquecer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Regressão 10/11/10


Em muros e calçadas pintadas falta o guia de seu caminhar. Meus poemas ainda não estão ali, mas um dia os verá pendurados, aos pedaços, pintados, desenhados, rabiscados com restos de tijolos. E talvez você me encontre. Talvez você me conheça. Talvez você se desencontre e se desfaça para conhecer seu novo ser amor e comece a pintar sua própria felicidade. Talvez eu não esteja mais ali. Talvez a chance fosse única e perdida. Talvez sinta arrependimento. Talvez aprenderas que deve-se viver cada dia como se fosse o ultimo. Eu espero que entenda seu caminhar e acompanhe seus próprios passos sem medo de tropeçar. Tem mais de uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinham tantas pedras. Se não perder o passo nem a hora, você chega a tempo de pedir perdão, ou de dar um sorriso sincero, ou um ombro amigo. Talvez você chega a tempo de receber a ultima flor, o ultimo beijo, o ultimo carinho. Talvez não ha mais tempo de encontrar seu ultimo amor. Talvez ele já se foi. Talvez esteja ainda indo, escalando as pedras que você jogou lá de cima quando chegava ao topo de sua montanha. Sua estrada não acabou. Nem a minha. Sempre em frente, o jeito é esquecer o que deixei pra trás e não errar igual. Vou esperar até o dia que alguém leia-me nas ruas e então continue minha ilusão.



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