sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um vazio numa casa.






Hoje a solidão entrou sem bater. Não há mais fechadura na porta de casa. Todas as janelas apedrejadas, o barulho agudo da panela de pressão no fogo, a luz do quarto piscando e a de fora queimada, o cheiro de mofo e o por do sol, que em seus raios faz a poeira aparente no ar, são sinais invisíveis. Gotas da ultima chuva que ainda caem do telhado em disritmo às do chuveiro. Roupas sujas que balançam penduradas no varal. A TV chia, mas o som das notícias ainda passa. Os pássaros têm medo de chegar perto. O mundo vê, mas se fecha perante o ser que não tem mais nenhuma porta trancada, mas infinitos muros em seu quintal.

Mais que ontem








Hoje o entardecer rosado aconteceu mais melancólico que o amanhecer azul. O céu parecia que continha uma felicidade reprimida, engasgada. As nuvens continham-o como um escorpião na encruzilhada. Queimava em solidão, num cerco de baratas tontas que olham para cima e apreciam a cor do sofrer.

explosão



Eu vou te atirar em bombas. A gravidade não vai te ajudar. Você vai explodir. Vai sentir cada célula do seu corpo queimar, arder até na alma. Sua áurea vai ficar vermelha, vai efervescer. Você vai sentir. Você vai voar. Você vai cair. Vou te atirar em meus braços.