
Hoje a solidão entrou sem bater. Não há mais fechadura na porta de casa. Todas as janelas apedrejadas, o barulho agudo da panela de pressão no fogo, a luz do quarto piscando e a de fora queimada, o cheiro de mofo e o por do sol, que em seus raios faz a poeira aparente no ar, são sinais invisíveis. Gotas da ultima chuva que ainda caem do telhado em disritmo às do chuveiro. Roupas sujas que balançam penduradas no varal. A TV chia, mas o som das notícias ainda passa. Os pássaros têm medo de chegar perto. O mundo vê, mas se fecha perante o ser que não tem mais nenhuma porta trancada, mas infinitos muros em seu quintal.
