segunda-feira, 26 de julho de 2010

Palavras fúnebres


Meu funeral juvenil de palavras descartadas será feito a mercê de um coveiro de dragões, um que já se queimou e hoje sabe prender o choro quando se vê enterrando sentimentos ainda vivos e desperdiçados.

t.t.


As respostas que eu preciso sempre estão na ponta de sua língua, ou nas nossas mãos entrelaçadas em passeios demasiados à álcool e alegria, estão sempre no nosso vôo, no gargalo de seu coração, prontas para sair e me engolir por inteiro num intenso sentimento de saciação momentânea. Seus palpites servem para quando meu mundo se acaba e você está perto. E quando eu for? Restará apenas algumas de suas palavras embaralhadas à sentimentos não presentes.

domingo, 25 de julho de 2010

Ontem faltou luz e beijos


E quando aconteceu, disparou. Uma zona de risco, sem ar nem vida. Risca-se um fósforo e sem fogo o amor acaba. Sem cobertor o que resta é o frigido corpo docente, descente e gélido do parceiro ao lado do qual não se lembra do primeiro beijo e nem do último.



Vitor 7

Momentâneo, passou


As árvores balançam

Entre triângulos

Tortos

E paralelepípedos

Alongados

Nunca quadrados

Então param.


Vitor7

Emboras


Embora pareça mas não seja, o desejo está no ar, no olhar, no sorriso, embora amarelo, embora vermelhos, embora denso. Tudo pode ser belo se sentido de outra forma.


Vitor 7

sábado, 24 de julho de 2010

Intervalo para o toque de 5 segundos

Intervalo para o toque de 5 segundos. Se o tempo não parou naquele instante, então é porque nunca vai parar mesmo. Temos essas ilusões diárias, de que tudo pode mudar, de que podemos mudar o mundo. Algumas pessoas ainda sabem sonhar. Nós não sonhamos, mas não somos cegos. Vemos o real e todas as suas possibilidades, daí sim tiramos proveito do que desejamos. Será que vamos um dia fugir da linha, sentar em baixo de uma árvore, ver o trem passar? Deixar levar nossos medos e anseios, deixar lavar nossa cara suja e aquecer nossa alma fria? São suposições. Cagamos e andamos pro que pode acontecer. Alias, vamos morrer antes mesmo que o mundo acabe, então pra que se preocupar? Não teremos filhos, ninguém mais merece viver nesse mundo. Chamam-nos de céticos, só porque não acreditamos no que não vemos. O homem nunca foi à lua, a não ser em pensamento. Tudo foi e tudo é distorção de um desejo inútil. Destruímos nossas mentes com televisão, novela e coisas do tipo. Coisas de alienados, que acreditam em tudo que vos falam. Acreditam e vivem isso. O que será real? Hoje em dia, não se sabe, nem os realistas sabem. Vivem uma realidade fria e imutável, sem saber o que ela é. Somos seres retardados, esquecidos no espaço. Estamos nos autodestruindo, sabe o que farei? Vou rir. Seres estúpidos. Carnívoros e canibais. Se comam, mas deixem os pobres, indefesos animais fora disso. Eles são a única esperança de um mundo melhor. Que seja que um dia algum deles passem a pensar de forma racional, coisa nunca vista aqui na Terra. Simplesmente desconhecimento. Voltamos. Novela das Seis. Hora de iludir-se.


Vitor 7

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Partida


Quando chega a hora de partir eu peço para esperar mais uns minutos, e quando os minutos acabam os segundos não sabem ser suficientes em um beijo, e assim vamos eu e o tempo partindo de boca em boca, coração em coração, ser em ser, de vestidos em nus. O tempo cuida do seu umbigo e deixa o pescoço comigo. Tua pele lasciva seca e tuas mãos tremem. Nem sabe mais o que é suor e o que é saliva. Nem sabe mais quem és. Se perde em si, em mim e no tempo.



Vitor 7

ontem-a-amanhã


Brincava de ser invisível, se esconder atrás do breu que não refletia. Ninguém me achava no pique - esconde, sempre que pude, corri ao máximo e fugi, e só com o caminho já livre eu voltava a rota da salvação. Por isso perdi tanto tempo, fui brincando, brincando, brincando, até que cai feio e vi que sendo invisível todos passam por cima de você! Decidi mudar e ser o visto extremo de tudo, visado e aparentemente amado, conheci outro mundo onde poucos te querem bem e muitos querem ser como você! Tudo bobagem, acabei esquecendo como correr, nem conseguia mais me esconder, aliás, não conseguia esconder o que não era e talvez em algum momento quisesse poder ser, pois o: ”quem sou!”, nesse momento estava trancafiado, atrofiado. Hoje, sou esse quem que escreve do passado, vive seu presente passando por tudo possível, e pensa no futuro como algo inconstante e mutável, onde poderei ser quem eu quiser, basta moldar-me em argamassa e esperar secar.


vitor 7

Ainda há desejo


Desejo teus olhos nos meus

Para refletirmos os sonhos um do outro

Desejo tuas palavras na minha boca

Para entrelaçarmos letras que embolem nossa língua

Desejo teu cheiro no ar que respiro

Para que esteja em cada instante, em cada suspiro

E desejo teu sorriso em minhas mãos

E suas mãos em meus olhos

Para fechá-los

E guiar-me através de tua oração.


vitor 7

Atropelando Coelhos


Talvez o que se esconde atrás da porta do armário seja apenas uma toalha se mexendo ou um espelho que refleti em ti seu próprio medo

Sempre fazem isso

Tentam acabar com nossos pesadelos

Nos dizem q não existe o bicho papão

Mas acabam com os nossos sonhos também

A nossa pequena ilusão

Um pouco que restava de esperança

E tiram sem dó

O sorriso da pequena criança

Que esperava

Papai Noel ou Coelho da páscoa

Mas onde eles estão?

Fugiram?Estão com medo?

Ou simplesmente nunca existiram

Se um dia acreditei então eles existiram

Dentro de mim ou não

Da sempre um aperto no coração

De lembrar como esperava ansiosamente o dia do presente chegar

Talvez estejam ai fora

Vagando, sem rumo

Enchendo a cara

Mas ainda estão com eles meus sonhos

Me devolva pelo menos o pouco de esperança

Os sonhos se vão...

Mas porque os pesadelos permanecem aqui?

É apenas mais uma grande confusão

Tudo vai passar?

Não quero q passe

Quero sofrer pra entender

Ou pelo menos dizer q eu tentei

Quero gritar e lamentar tudo que fiz de errado

E não posso mais mudar

Tudo que deixei de fazer

Pra não magoar os outros ou por medo msm

Quero sentar na beira do asfalto e chorar

Olhar quem cruza a esquina

Pensar como cada um seria em meu lugar

Quero sentir dor

Essa dor que fere mais que qualquer machucado

Essa dor que arranca de mim

O que era mais precioso

Estou em guerra comigo mesmo

É isso mesmo

Uma guerra civil dentro da minha cabeça

Ou seria

Dentro do meu coração?

Será que é meu estomago?

Acho que só estou com fome

Vou ali jantar

Quem sabe isso passa.


Vitor 7

Só parece?


Parece que andamos sobre campos minados. Parece que a guerra nunca acabou. Parece que a fome desola mais que a loucura. Parece que o mudo está em pedaços. Parece que os monges estão traindo. Parece que a vida não é digna. Parece que AIDS é só mais uma doença. Parece que cura é só remédio. Parece que a alma desapareceu. Parece que o Ser deixou de ser Humano.


vitor 7

Conjunto


Eu sentia que a vida tinha acabado, mas momentos de euforia nos mostram que ainda vale a pena viver. Vejo quadros no chão e os poemas em janelas, penso em quem os fez. Penso no que fez depois de fazer o que ninguém nunca havia feito. Toda arte inova, toda arte renova o ser, minha arte nunca foi escrever, minha arte é ser e expressar o que foi reprimido. Meu sangue pulsado sai da minha veia, pelo impulso mancha minha obra e faz dela mais uma parte de mim. Agora somos um só, eu e ela somos nós, nós nos tornamos eu. Meu pulmão é uma peça de teatro inspirada em um mundo inóspito. Meu cérebro é um poema que não para de falar, às vezes cansa. Meus olhos são pinturas de pessoas mortas. Meu coração fugiu, para onde foi ninguém sabe. Deve ter ficado no meio do caminho, no meio das pedras, ficou preso ou se tornou uma. Um conjunto me fez, eu fabrico agora o que fará outros como eu. A vida está prestes a acabar, mas não se engane. Ainda vale a pena sofrer, aprender, crescer, viver. Mas nunca valerá a pena usar de novo aquela palavra que sua mãe diz na hora de ir embora.


Vitor 7

Transfiguração


Transfiguro quando a luz do sol toca a face, a pele lasciva se torna crua e podre, o libido do meu eu-lírico se perde com palavras de traição, a luz destrói meu universo paralelo mostrando-o a realidade, perco-me, perco a liberdade plena dos sonhos que se vão pelo túnel multicolorido, os sons se confundem, as palavras se misturam, a música soa sem ar de revolução, soa com o timbre de alguém cansado e suado em uma breve pausa no seu dia de trabalho e que logo irá voltar a cansar-se, o canto sofrido tenta me tirar da cama pra mais um dia de dia e noite, e a maior dúvida ao trocar-me a vestimenta é saber qual máscara usar.

Vitor 7