
Meu funeral juvenil de palavras descartadas será feito a mercê de um coveiro de dragões, um que já se queimou e hoje sabe prender o choro quando se vê enterrando sentimentos ainda vivos e desperdiçados.
"É a solidão que inspira os poetas, cria os artistas e anima o génio." Henri Lacordaire

As respostas que eu preciso sempre estão na ponta de sua língua, ou nas nossas mãos entrelaçadas em passeios demasiados à álcool e alegria, estão sempre no nosso vôo, no gargalo de seu coração, prontas para sair e me engolir por inteiro num intenso sentimento de saciação momentânea. Seus palpites servem para quando meu mundo se acaba e você está perto. E quando eu for? Restará apenas algumas de suas palavras embaralhadas à sentimentos não presentes.
Intervalo para o toque de 5 segundos. Se o tempo não parou naquele instante, então é porque nunca vai parar mesmo. Temos essas ilusões diárias, de que tudo pode mudar, de que podemos mudar o mundo. Algumas pessoas ainda sabem sonhar. Nós não sonhamos, mas não somos cegos. Vemos o real e todas as suas possibilidades, daí sim tiramos proveito do que desejamos. Será que vamos um dia fugir da linha, sentar em baixo de uma árvore, ver o trem passar? Deixar levar nossos medos e anseios, deixar lavar nossa cara suja e aquecer nossa alma fria? São suposições. Cagamos e andamos pro que pode acontecer. Alias, vamos morrer antes mesmo que o mundo acabe, então pra que se preocupar? Não teremos filhos, ninguém mais merece viver nesse mundo. Chamam-nos de céticos, só porque não acreditamos no que não vemos. O homem nunca foi à lua, a não ser em pensamento. Tudo foi e tudo é distorção de um desejo inútil. Destruímos nossas mentes com televisão, novela e coisas do tipo. Coisas de alienados, que acreditam em tudo que vos falam. Acreditam e vivem isso. O que será real? Hoje em dia, não se sabe, nem os realistas sabem. Vivem uma realidade fria e imutável, sem saber o que ela é. Somos seres retardados, esquecidos no espaço. Estamos nos autodestruindo, sabe o que farei? Vou rir. Seres estúpidos. Carnívoros e canibais. Se comam, mas deixem os pobres, indefesos animais fora disso. Eles são a única esperança de um mundo melhor. Que seja que um dia algum deles passem a pensar de forma racional, coisa nunca vista aqui na Terra. Simplesmente desconhecimento. Voltamos. Novela das Seis. Hora de iludir-se.
Vitor 7

Quando chega a hora de partir eu peço para esperar mais uns minutos, e quando os minutos acabam os segundos não sabem ser suficientes em um beijo, e assim vamos eu e o tempo partindo de boca em boca, coração em coração, ser em ser, de vestidos em nus. O tempo cuida do seu umbigo e deixa o pescoço comigo. Tua pele lasciva seca e tuas mãos tremem. Nem sabe mais o que é suor e o que é saliva. Nem sabe mais quem és. Se perde em si, em mim e no tempo.
Brincava de ser invisível, se esconder atrás do breu que não refletia. Ninguém me achava no pique - esconde, sempre que pude, corri ao máximo e fugi, e só com o caminho já livre eu voltava a rota da salvação. Por isso perdi tanto tempo, fui brincando, brincando, brincando, até que cai feio e vi que sendo invisível todos passam por cima de você! Decidi mudar e ser o visto extremo de tudo, visado e aparentemente amado, conheci outro mundo onde poucos te querem bem e muitos querem ser como você! Tudo bobagem, acabei esquecendo como correr, nem conseguia mais me esconder, aliás, não conseguia esconder o que não era e talvez em algum momento quisesse poder ser, pois o: ”quem sou!”, nesse momento estava trancafiado, atrofiado. Hoje, sou esse quem que escreve do passado, vive seu presente passando por tudo possível, e pensa no futuro como algo inconstante e mutável, onde poderei ser quem eu quiser, basta moldar-me em argamassa e esperar secar.
vitor 7
Desejo teus olhos nos meus
Para refletirmos os sonhos um do outro
Desejo tuas palavras na minha boca
Para entrelaçarmos letras que embolem nossa língua
Desejo teu cheiro no ar que respiro
Para que esteja em cada instante, em cada suspiro
E desejo teu sorriso em minhas mãos
E suas mãos em meus olhos
Para fechá-los
E guiar-me através de tua oração.
vitor 7
Talvez o que se esconde atrás da porta do armário seja apenas uma toalha se mexendo ou um espelho que refleti em ti seu próprio medo
Sempre fazem isso
Tentam acabar com nossos pesadelos
Nos dizem q não existe o bicho papão
Mas acabam com os nossos sonhos também
A nossa pequena ilusão
Um pouco que restava de esperança
E tiram sem dó
O sorriso da pequena criança
Que esperava
Papai Noel ou Coelho da páscoa
Mas onde eles estão?
Fugiram?Estão com medo?
Ou simplesmente nunca existiram
Se um dia acreditei então eles existiram
Dentro de mim ou não
Da sempre um aperto no coração
De lembrar como esperava ansiosamente o dia do presente chegar
Talvez estejam ai fora
Vagando, sem rumo
Enchendo a cara
Mas ainda estão com eles meus sonhos
Me devolva pelo menos o pouco de esperança
Os sonhos se vão...
Mas porque os pesadelos permanecem aqui?
É apenas mais uma grande confusão
Tudo vai passar?
Não quero q passe
Quero sofrer pra entender
Ou pelo menos dizer q eu tentei
Quero gritar e lamentar tudo que fiz de errado
E não posso mais mudar
Tudo que deixei de fazer
Pra não magoar os outros ou por medo msm
Quero sentar na beira do asfalto e chorar
Olhar quem cruza a esquina
Pensar como cada um seria em meu lugar
Quero sentir dor
Essa dor que fere mais que qualquer machucado
Essa dor que arranca de mim
O que era mais precioso
Estou em guerra comigo mesmo
É isso mesmo
Uma guerra civil dentro da minha cabeça
Ou seria
Dentro do meu coração?
Será que é meu estomago?
Acho que só estou com fome
Vou ali jantar
Quem sabe isso passa.
Vitor 7

vitor 7

Eu sentia que a vida tinha acabado, mas momentos de euforia nos mostram que ainda vale a pena viver. Vejo quadros no chão e os poemas em janelas, penso em quem os fez. Penso no que fez depois de fazer o que ninguém nunca havia feito. Toda arte inova, toda arte renova o ser, minha arte nunca foi escrever, minha arte é ser e expressar o que foi reprimido. Meu sangue pulsado sai da minha veia, pelo impulso mancha minha obra e faz dela mais uma parte de mim. Agora somos um só, eu e ela somos nós, nós nos tornamos eu. Meu pulmão é uma peça de teatro inspirada em um mundo inóspito. Meu cérebro é um poema que não para de falar, às vezes cansa. Meus olhos são pinturas de pessoas mortas. Meu coração fugiu, para onde foi ninguém sabe. Deve ter ficado no meio do caminho, no meio das pedras, ficou preso ou se tornou uma. Um conjunto me fez, eu fabrico agora o que fará outros como eu. A vida está prestes a acabar, mas não se engane. Ainda vale a pena sofrer, aprender, crescer, viver. Mas nunca valerá a pena usar de novo aquela palavra que sua mãe diz na hora de ir embora.
Vitor 7
