quinta-feira, 19 de maio de 2011








E hoje o céu amanheceu azul, com cor de tempestade. Repleto de melancolia e solidão, ele era o reflexo do meu mundo no meu quarto. Os olhos embaçados não me deixavam ver meu rosto. Pintei a paisagem azul num quadro 18x24, que nada era além de lágrimas.

segunda-feira, 16 de maio de 2011






O que a vida nos trouxe de bom, eu reconheço até com olhos fechados. De peito aberto e com o coração batendo, devolvi a ela mais da mesma, numa reciprocidade onde, pessoalmente, apertamos as mãos e selamos o pacto de partilhar a felicidade de tudo, num todo e sempre.

Dizeres

Há quem diz que a vida é uma ilusão, há quem diz que ilusões têm vida própria. Há quem diz que sonhos parece verdade, há quem diz que a vida parece um sonho. Há ainda quem diz que não vive por medo ou vive com medo de viver. E quem diz que medo é ilusão pra se proteger porque não aprendeu a sonhar. Há quem sonha em dizer que o sonho virou realidade. Há quem acredita que sonhos são ilusões. Há quem se ilude com um sonho. Há quem nem diz nada. Há quem só tem pesadelos. Porém, Há quem sonha. Há quem dorme de conchinha. Há, ainda, quem vive.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

descamagem






A criança ainda adulta treme tanto que parece estar parada. Cortou as tranças e as guardou na caixinha dourada, trancada as 7 chaves com sua esperança e sua nave que a levava embora da realidade. Mas nem sonhar ela pode mais, bloquearam sua mente e menti quem diz que ela ainda é feliz. Veja seu sorriso tristonho, os cabelos do braço ouriçados e o delicado rosto medonho que assusta crianças que querem crescer, mas não ser como ela. E a pequena mulher que sonhou um dia em ser cinderela, cresce hoje sem querer, sem nem ver. Apenas senti aquilo sair da pele, algo estranho, medonho até, e no susto grita a mãe e diz: “Mamãe, virei Mulher!"




quinta-feira, 5 de maio de 2011

as 3 velhas




No fim não sabia se ria ou chorava, se o que restava de um inteiro eram partes de soluços ou risadas. A única reação do corpo era a respiração, ofegante, mas não profunda. Tanta confusão numa mistura de suspiros que o ar afogava. Mais um suspiro era capaz de fazer cuspir fogo, mais um era capaz de cuspir própria a alma. Às vezes gelada, às vezes quente, às vezes uma alma cruel e de plástico. Almejava o sádico. Dar dor, risos. Do amor, podridão. No fim, aplausos de pé sem saber por que.





A peça:

http://guia.folha.com.br/teatro/ult10053u786191.shtml