sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um vazio numa casa.






Hoje a solidão entrou sem bater. Não há mais fechadura na porta de casa. Todas as janelas apedrejadas, o barulho agudo da panela de pressão no fogo, a luz do quarto piscando e a de fora queimada, o cheiro de mofo e o por do sol, que em seus raios faz a poeira aparente no ar, são sinais invisíveis. Gotas da ultima chuva que ainda caem do telhado em disritmo às do chuveiro. Roupas sujas que balançam penduradas no varal. A TV chia, mas o som das notícias ainda passa. Os pássaros têm medo de chegar perto. O mundo vê, mas se fecha perante o ser que não tem mais nenhuma porta trancada, mas infinitos muros em seu quintal.

Mais que ontem








Hoje o entardecer rosado aconteceu mais melancólico que o amanhecer azul. O céu parecia que continha uma felicidade reprimida, engasgada. As nuvens continham-o como um escorpião na encruzilhada. Queimava em solidão, num cerco de baratas tontas que olham para cima e apreciam a cor do sofrer.

explosão



Eu vou te atirar em bombas. A gravidade não vai te ajudar. Você vai explodir. Vai sentir cada célula do seu corpo queimar, arder até na alma. Sua áurea vai ficar vermelha, vai efervescer. Você vai sentir. Você vai voar. Você vai cair. Vou te atirar em meus braços.

quinta-feira, 19 de maio de 2011








E hoje o céu amanheceu azul, com cor de tempestade. Repleto de melancolia e solidão, ele era o reflexo do meu mundo no meu quarto. Os olhos embaçados não me deixavam ver meu rosto. Pintei a paisagem azul num quadro 18x24, que nada era além de lágrimas.

segunda-feira, 16 de maio de 2011






O que a vida nos trouxe de bom, eu reconheço até com olhos fechados. De peito aberto e com o coração batendo, devolvi a ela mais da mesma, numa reciprocidade onde, pessoalmente, apertamos as mãos e selamos o pacto de partilhar a felicidade de tudo, num todo e sempre.

Dizeres

Há quem diz que a vida é uma ilusão, há quem diz que ilusões têm vida própria. Há quem diz que sonhos parece verdade, há quem diz que a vida parece um sonho. Há ainda quem diz que não vive por medo ou vive com medo de viver. E quem diz que medo é ilusão pra se proteger porque não aprendeu a sonhar. Há quem sonha em dizer que o sonho virou realidade. Há quem acredita que sonhos são ilusões. Há quem se ilude com um sonho. Há quem nem diz nada. Há quem só tem pesadelos. Porém, Há quem sonha. Há quem dorme de conchinha. Há, ainda, quem vive.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

descamagem






A criança ainda adulta treme tanto que parece estar parada. Cortou as tranças e as guardou na caixinha dourada, trancada as 7 chaves com sua esperança e sua nave que a levava embora da realidade. Mas nem sonhar ela pode mais, bloquearam sua mente e menti quem diz que ela ainda é feliz. Veja seu sorriso tristonho, os cabelos do braço ouriçados e o delicado rosto medonho que assusta crianças que querem crescer, mas não ser como ela. E a pequena mulher que sonhou um dia em ser cinderela, cresce hoje sem querer, sem nem ver. Apenas senti aquilo sair da pele, algo estranho, medonho até, e no susto grita a mãe e diz: “Mamãe, virei Mulher!"




quinta-feira, 5 de maio de 2011

as 3 velhas




No fim não sabia se ria ou chorava, se o que restava de um inteiro eram partes de soluços ou risadas. A única reação do corpo era a respiração, ofegante, mas não profunda. Tanta confusão numa mistura de suspiros que o ar afogava. Mais um suspiro era capaz de fazer cuspir fogo, mais um era capaz de cuspir própria a alma. Às vezes gelada, às vezes quente, às vezes uma alma cruel e de plástico. Almejava o sádico. Dar dor, risos. Do amor, podridão. No fim, aplausos de pé sem saber por que.





A peça:

http://guia.folha.com.br/teatro/ult10053u786191.shtml

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Encerrado por um beijo matinal, o amor vai embora. Da janela o ultimo adeus, até logo não pode existir. Então um quase suicídio para tentar aproximar as mãos que balançam junto ao peito, que arde em saudade instantânea. Um vai, um vazio fica. Outro chega, o vazio continua. O outro vai, dois vazios se completam.

quarta-feira, 6 de abril de 2011



Vespa solitária. Deixe-se. Viva comigo, pois eu já vivo com você desde sempre.

Margarida. Você surgiu hoje com tanto intuito e tão pouca ação. Você embeleza meu pequeno mundo de 36m². Quando acordo você parece me dar bom dia e sorrir com ar de mãe orgulhosa. Mas falta seu beijo. Falta mais amor. Deixe de esbanjar beleza e traga calor. O seu beijo de boa noite é na testa e não na boca. Eu quero mais ardência. Plante-se em malagueta, talvez resolva.

quarta-feira, 30 de março de 2011


Queremos as drogas da dor! Tem aí?
Não, aqui só vendemos as do amor, procure nas trevas da esquina, lá se encontram alguns vendedores.
Há passos de distância daqui? Não, me vê uma pílula do amor, sei no que isso se transforma no fim.

terça-feira, 29 de março de 2011


Baseado em uma vida vazia, um texto vazio, uma alma fria. Acalentada pelo vento que passa por entre as arvores soprando cada vez mais lento, cada vez menos. Menosprezada pelo céu e por algum Deus. Seu teto: vidraça apedrejada por um quase amor doentio. Quase amor efervescente, quase febre constante, inacabável, inconseqüente. Vaga por onde não há ruas, só vãos. Ainda mais vaga seu ser na janela com um muro na frente. Oposto a tudo que um dia imaginou sonhar, nasce um arco-íris entre nuvens. Que logo se fecham e escurecem novamente o dia. Há dias que não alcançou o primeiro degrau, céu, segundo passo, sempre seguido de tropeço. Não há preço que supra essa quase vida, nem esmola que recuperasse o sorriso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tarsila. A Tarsila do pé grande? Onde foram parar suas amarras? À que você se entrelaça e onde acha a ponta do laço para se abrir tão livremente ao mundo? Você parece que fora dele tem mais sentido, meu bem, me leve contigo? Me desamarre, retire meus nós e meus freios que meu combustível ao teu lado é eterno.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



No porão, a poeira se transforma em magia


A alegria limpa o escuro das sombras


E sorrisos fazem de escadas montanhas


De tapetes voadores e de olhos diamantes



No porão tudo voa


Cadeiras, bolas e mentes


Sementes do amanhã até que o dia as floresça


Gente grande de hoje até que o frio os adormeça



No porão eu vi a vida passar


Construí o futuro que não precisava enfrentar


Brinquei, voei, cresci, aprendi


E na hora do jantar, tudo se apagou


A criança cresceu e o sonho por lá ficou.


Nasceu já quase morrendo, correndo risco e riscando um fósforo para acender a vela do Santo (?) .A vida passou e hoje risca seu último fósforo e acende seu último cigarro e então suas últimas palavras são: (apenas silêncio).


Essas decepções não me afetam mais. Deveriam mas nem mais me intrigam. Aprendo a ter consciência do que supostamente deveria fazer e não faço. Preferi a escolha de não seguir o determinismo, me determinarei. As feridas pode até agonizar mas não arrependo, as cicatrizes mostram a resistência. Prefiro não ser feito de nada, não seguir nenhum caminho. Se há uma bifurcação eu abro uma nova estrada entre tantas pedras e buracos. Nada me impede nessa caminhada.



Roxo púrpura brilha em vários lugares. Nas faces, nos braços, nas orelhas, nos trajes, nos tímpanos. Teu rosto revela um roxo de saudade, de amor, de rancor ou de um soco? Você cai e não vê a profundidade, só tem noção durante a subida. Deus não é tão fiel. Ele causa e consome. Nós sofremos e alegramos de seus afazeres. Porque elE se esconde? Será também que esconde um roxo em seu coração de luz?



Eu queria sentir como você sente


Amar só como você faz


Trazer à vida, vida


Criar e cuidar da paixão parida.



Me sinto molhado e ainda sedento, crédulo e ateu. Vejo-me segurando o cálice e carregando a cruz, chicoteando um deus e rezando de joelhos no chão. Me sinto e me vejo, mas não sou.



Ontem quase faltou luz aqui à noite. Bem, quase só porque eu quis. Queria ver a cidade se apagar pra eu me ascender até as estrelas, acender um cigarro e de lá ver a Terra escura. Apenas brilhos de velas e faróis se fariam as estrelas de quem abita o céu. Mas não aconteceu. Nem o uísque rendeu até o fim daquela escravidão solitária.





Today I left my superpowers at home. I faced the world with clean hands e my mind opened. The bloody smiles didn’t scare me. The sad eyes didn’t stop me on half way. I walked across the universe, under the bridge and over my brief breath. Oh sunny moon, please, take me away from the cold night, bring me the warm arms. Hold my hand.



Ao anoitecer, a noite de luar ilumina os proveitos de sua beleza. Clareia o casal na areia cheio de regalias sexuais e satisfações casuais. Banha de brilho mais um sentimento à carne. Banha de brilho mais um fruto da carne. Nasce pequena e quase invisível. Cresce e acalenta até o mais desprezível. A Lua não distingue nada, só reflete tudo que por ela passa. Todos os encantos e desperdícios. Ora te deixa mais feliz ora te deixa mais triste. Ora te ilumina ora te esquece. Nunca nos aquece, mas nos dá a certeza de que amanhã o astro maior chegará para cobrir o céu.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Amadeus. Achava que era bailarino. Dançava sua valsa em seu quarto escuro, e de alma era o que entendia. Só nesses momentos. Aspirava ao sonho mais íntimo e intenso. Acreditava e era. Nesses instantes o sonho era vivo e apreciado pelos olhos fechados e desinibidos das fotografias que o rodeava. Esquecia-se de si. Era total liberdade. Total amor. Totalmente Amadeus. Essencialmente Amadeus. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah. Tudo até a orquestra parar e o som do violão deitar-lhe ao chão.