quinta-feira, 23 de dezembro de 2010



Ele era um garoto. Cazaque. Ainda uma criança. Pra sempre uma criança. Um cantar doce e suave saia das entranhas de suas cordas vocais. Vibrava como vibra uma estrela cadente chocando-se com outra num instante em que fagulhas se fazem estrelas, e estrelas se chocam, e fagulhas, e estrelas, fagulhas, estrelas. Seu sonho era ser uma estrela, mas no fim foi só uma fagulha.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010



Soldados. Armados. Saudando o sol a nascer, o calor do suar, o cansar do ser. Preparam-se ao novo dia, à nova guerra, ao novo monte de mortos e torres de mortos. Cavalgam pelo ar à procura dos verbos que mais exalam o frescor da morte e podridão do pecado da carne atraente aos urubus. Ao descer dos céus, seus pés nem notam ao tocar o chão. Parece música desritimada o passar dos cavaleiros. Quando as flechas ofuscam o céu, tudo parece ser cubista, e o reflexo é fragmentado nas faces desarmadas, indefesas. A guerra. À guerra. Tudo se dispõe ao seu fervor. Parece que há fogo em tudo, e falta um pouco dentro do ser. Tudo é tão exterior, e tudo é tão irreal. Lutemos. Até o fim. O fim dos dias épicos que nos trarão de volta no futuro de nossa história.



Selamos segredos saturados de imaginação. Segregamos nosso medo do corpo, do ser e da alma. Variamos entre preto e branco e arco-íris. Vendamos os olhos. Vejo suas pupilas dilatadas e dotadas de desprezo. Desprezo este que não satisfaz seu endereço sentimental. Desprezo que não te pertence e que marca a dentes a aura negra iluminada. Seus diminutivos não enganam. Sua força é maior e menor que tudo que há. Seu amor está entre ser e ter, querer, viver e esquecer. E saber te descrever é um dom que apenas quem lhe abraçou é capaz.



Rebeldia não é destruição. Destruição não precisa ser exatamente ruim. Rebeldia não é ruim. Nada é tão relevante, quanto relevar o seu passado, elevar-se ao extremo, e se revelar um novo ser. Destrua-se. Cate os bons cacos. Queime-os. Pegue os ruins e releia-os. Alguns serão úteis. Então, presentei-se com um banho no mar gelado. Deixe o céu cair. Destrua tudo que sente, não acredite em nada que vê ou ouve. Renove-se sendo um despertador da fúria, que toca todo dia em horários diferentes. Rebele-se contra o que é imposto bom pra você. Procure no lixo seu cordão umbilical. Beba o liquido do esgoto. Coma com os ratos. Fareje com os ratos. Saiba o que te faz, o que te fez. Saiba o futuro que constrói. Saiba que você é fruto das árvores mortas. Há em seus ombros um destino que alguém quer que sigas. Aonde chegar? A sua felicidade é criada e educada para ser dócil. Enquanto eles fazem o que querem.



Lovely lonely life, behind the curtains, behind our certain. Does it carry us or we have to drag it between the dream and the freedom? The wind came from the window and touches my face like the destiny saying to me: swim over the sky, you’re just a child, a boy, one more guy. Don’t worry. Today we can’t but tomorrow we’ll see.



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sábado, 13 de novembro de 2010

Our Vancity



Vadiamos tanto por ruas das quais nem sei nome. Fomos felizes num sonho datado, de início e fim. Éramos tão pequenos para uma cidade tão grande. Éramos tão pequenos para alegria tão grande. Estávamos saturados de coisas boas, rodeados por um ar puro, fresco e gélido, quase vivo, de um toque suave e delicioso. As línguas estranhas e exteriores, fora da boca faziam tão mais sentido. As luzes da cidade apagadas ainda me presenteavam com a lua cheia. As arvores do parque à frente balançavam como quem dizia welcome e goodbye sem sentido ou direção e ao mesmo tempo, pois a todo instante estava chegando e indo, meu tempo ia embora e eu chegava a mais um lugar novo. A calma acalentava o espírito. O uivo dos coiotes causava arrepios. Os agasalhos às vezes não eram suficientes. O céu nublado parecia carregado, mas ainda puro. E quando o sol se abria por entre as nuvens, ah, que delícia. A chuva constante irritava? A alguns sim, a mim trazia uma vontade de correr e abrir a boca e soprar pra ver a fumacinha saindo da boca. Os amigos essenciais, também foram um sonho, ficaram por lá, apenas quem sonhou comigo, continua comigo. Apenas quem sonhou comigo talvez sinta-se ao ler.

Suor perdido em tempos sagrados



Nos fazemos de suor, fazemos o tempo ser sagrado e só nos agrada quando todo o tempo do mundo para só para nos ver passear de mãos dadas, mas a quanto tempo este não paramos? O tempo nos faz perder e talvez não tenhamos mais ele de sobra, talvez não possamos mais nem nos perder nele, sempre em frente, não muda de direção! E se pudéssemos viajar mais rápido que ele quando sonhamos? Acordaríamos e teríamos de volta o tempo que passou? Nada disso importa, o sol pode não estar ali, a manhã pode estar cinza e a tempestade de qualquer cor, nada nos impede de criar nosso próprio tempo, nós o temos e ele nos tem. Pode apagar as luzes, me abraça forte, assim me sinto tão mais jovem de novo e então ao seu lado posso dormir e ser senhor dos nossos domínios.

Ps.: Legenda da foto: Owner of a lonely heart