
Eu sentia que a vida tinha acabado, mas momentos de euforia nos mostram que ainda vale a pena viver. Vejo quadros no chão e os poemas em janelas, penso em quem os fez. Penso no que fez depois de fazer o que ninguém nunca havia feito. Toda arte inova, toda arte renova o ser, minha arte nunca foi escrever, minha arte é ser e expressar o que foi reprimido. Meu sangue pulsado sai da minha veia, pelo impulso mancha minha obra e faz dela mais uma parte de mim. Agora somos um só, eu e ela somos nós, nós nos tornamos eu. Meu pulmão é uma peça de teatro inspirada em um mundo inóspito. Meu cérebro é um poema que não para de falar, às vezes cansa. Meus olhos são pinturas de pessoas mortas. Meu coração fugiu, para onde foi ninguém sabe. Deve ter ficado no meio do caminho, no meio das pedras, ficou preso ou se tornou uma. Um conjunto me fez, eu fabrico agora o que fará outros como eu. A vida está prestes a acabar, mas não se engane. Ainda vale a pena sofrer, aprender, crescer, viver. Mas nunca valerá a pena usar de novo aquela palavra que sua mãe diz na hora de ir embora.
Vitor 7
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