quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



Eu queria sentir como você sente


Amar só como você faz


Trazer à vida, vida


Criar e cuidar da paixão parida.



Me sinto molhado e ainda sedento, crédulo e ateu. Vejo-me segurando o cálice e carregando a cruz, chicoteando um deus e rezando de joelhos no chão. Me sinto e me vejo, mas não sou.



Ontem quase faltou luz aqui à noite. Bem, quase só porque eu quis. Queria ver a cidade se apagar pra eu me ascender até as estrelas, acender um cigarro e de lá ver a Terra escura. Apenas brilhos de velas e faróis se fariam as estrelas de quem abita o céu. Mas não aconteceu. Nem o uísque rendeu até o fim daquela escravidão solitária.





Today I left my superpowers at home. I faced the world with clean hands e my mind opened. The bloody smiles didn’t scare me. The sad eyes didn’t stop me on half way. I walked across the universe, under the bridge and over my brief breath. Oh sunny moon, please, take me away from the cold night, bring me the warm arms. Hold my hand.



Ao anoitecer, a noite de luar ilumina os proveitos de sua beleza. Clareia o casal na areia cheio de regalias sexuais e satisfações casuais. Banha de brilho mais um sentimento à carne. Banha de brilho mais um fruto da carne. Nasce pequena e quase invisível. Cresce e acalenta até o mais desprezível. A Lua não distingue nada, só reflete tudo que por ela passa. Todos os encantos e desperdícios. Ora te deixa mais feliz ora te deixa mais triste. Ora te ilumina ora te esquece. Nunca nos aquece, mas nos dá a certeza de que amanhã o astro maior chegará para cobrir o céu.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011


Amadeus. Achava que era bailarino. Dançava sua valsa em seu quarto escuro, e de alma era o que entendia. Só nesses momentos. Aspirava ao sonho mais íntimo e intenso. Acreditava e era. Nesses instantes o sonho era vivo e apreciado pelos olhos fechados e desinibidos das fotografias que o rodeava. Esquecia-se de si. Era total liberdade. Total amor. Totalmente Amadeus. Essencialmente Amadeus. Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah. Tudo até a orquestra parar e o som do violão deitar-lhe ao chão.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010



Ele era um garoto. Cazaque. Ainda uma criança. Pra sempre uma criança. Um cantar doce e suave saia das entranhas de suas cordas vocais. Vibrava como vibra uma estrela cadente chocando-se com outra num instante em que fagulhas se fazem estrelas, e estrelas se chocam, e fagulhas, e estrelas, fagulhas, estrelas. Seu sonho era ser uma estrela, mas no fim foi só uma fagulha.