sábado, 13 de novembro de 2010



Sou servo de ti, e cativo a cada dia mais um sorriso de canto de boca, quem sabe de tanto junta-los, um dia terei um mosaico de teus sentimentos expressos.



Um dia soube o valor das palavras, das criticas, dos filmes, das músicas, dos sabores, dos caretas, das caretas e sorrisos, dos insanos e insensatos e dos termos árcades. Hoje, só sei o valor de um sentimento, e ainda confuso.



Escondo-me atrás da camisa encardida ao avesso, troco os pés dos sapatos e as letras da língua, me viro de ponta cabeça. Faço e desfaço, me arremesso e não caio. Não concluo nada e nada me inclui. Não durmo nem fumo, às vezes bebo goles de vergonha, mas mesmo assim não consigo me expressar claramente, e claro, só você não entende.

Zona de desconforto



Estamos cansados de ser sensatos, queremos a zona de risco, de desconforto. Queremos o ar rarefeito e o raro efeito de simplesmente sentir. Queremos a comida azeda, o pão amassado, a pele queimada, os ombros e os olhos vermelhos, a coluna torta, o dente quebrado, a unha lascada, os lábios secos e as aftas no beijo. Queremos as danças mais insanas e as doenças mais cruéis. Queremos tudo só para evitar estar bem.

*



A falta é o que os compõe por completo, a sede o que os sacia, a dor o que os causa prazer. Tremores sísmicos no estômago é só fome. Assim é uma alma de quem teme ser feliz.

Taciturno 1



Noite, noites. Madrugadas adentram. Dentre prazeres e lembranças. Mais uma noite. Mais uma noite a esquecer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Regressão 10/11/10


Em muros e calçadas pintadas falta o guia de seu caminhar. Meus poemas ainda não estão ali, mas um dia os verá pendurados, aos pedaços, pintados, desenhados, rabiscados com restos de tijolos. E talvez você me encontre. Talvez você me conheça. Talvez você se desencontre e se desfaça para conhecer seu novo ser amor e comece a pintar sua própria felicidade. Talvez eu não esteja mais ali. Talvez a chance fosse única e perdida. Talvez sinta arrependimento. Talvez aprenderas que deve-se viver cada dia como se fosse o ultimo. Eu espero que entenda seu caminhar e acompanhe seus próprios passos sem medo de tropeçar. Tem mais de uma pedra no meio do caminho. No meio do caminho tinham tantas pedras. Se não perder o passo nem a hora, você chega a tempo de pedir perdão, ou de dar um sorriso sincero, ou um ombro amigo. Talvez você chega a tempo de receber a ultima flor, o ultimo beijo, o ultimo carinho. Talvez não ha mais tempo de encontrar seu ultimo amor. Talvez ele já se foi. Talvez esteja ainda indo, escalando as pedras que você jogou lá de cima quando chegava ao topo de sua montanha. Sua estrada não acabou. Nem a minha. Sempre em frente, o jeito é esquecer o que deixei pra trás e não errar igual. Vou esperar até o dia que alguém leia-me nas ruas e então continue minha ilusão.



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