quinta-feira, 7 de abril de 2011

Encerrado por um beijo matinal, o amor vai embora. Da janela o ultimo adeus, até logo não pode existir. Então um quase suicídio para tentar aproximar as mãos que balançam junto ao peito, que arde em saudade instantânea. Um vai, um vazio fica. Outro chega, o vazio continua. O outro vai, dois vazios se completam.

quarta-feira, 6 de abril de 2011



Vespa solitária. Deixe-se. Viva comigo, pois eu já vivo com você desde sempre.

Margarida. Você surgiu hoje com tanto intuito e tão pouca ação. Você embeleza meu pequeno mundo de 36m². Quando acordo você parece me dar bom dia e sorrir com ar de mãe orgulhosa. Mas falta seu beijo. Falta mais amor. Deixe de esbanjar beleza e traga calor. O seu beijo de boa noite é na testa e não na boca. Eu quero mais ardência. Plante-se em malagueta, talvez resolva.

quarta-feira, 30 de março de 2011


Queremos as drogas da dor! Tem aí?
Não, aqui só vendemos as do amor, procure nas trevas da esquina, lá se encontram alguns vendedores.
Há passos de distância daqui? Não, me vê uma pílula do amor, sei no que isso se transforma no fim.

terça-feira, 29 de março de 2011


Baseado em uma vida vazia, um texto vazio, uma alma fria. Acalentada pelo vento que passa por entre as arvores soprando cada vez mais lento, cada vez menos. Menosprezada pelo céu e por algum Deus. Seu teto: vidraça apedrejada por um quase amor doentio. Quase amor efervescente, quase febre constante, inacabável, inconseqüente. Vaga por onde não há ruas, só vãos. Ainda mais vaga seu ser na janela com um muro na frente. Oposto a tudo que um dia imaginou sonhar, nasce um arco-íris entre nuvens. Que logo se fecham e escurecem novamente o dia. Há dias que não alcançou o primeiro degrau, céu, segundo passo, sempre seguido de tropeço. Não há preço que supra essa quase vida, nem esmola que recuperasse o sorriso.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Tarsila. A Tarsila do pé grande? Onde foram parar suas amarras? À que você se entrelaça e onde acha a ponta do laço para se abrir tão livremente ao mundo? Você parece que fora dele tem mais sentido, meu bem, me leve contigo? Me desamarre, retire meus nós e meus freios que meu combustível ao teu lado é eterno.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011



No porão, a poeira se transforma em magia


A alegria limpa o escuro das sombras


E sorrisos fazem de escadas montanhas


De tapetes voadores e de olhos diamantes



No porão tudo voa


Cadeiras, bolas e mentes


Sementes do amanhã até que o dia as floresça


Gente grande de hoje até que o frio os adormeça



No porão eu vi a vida passar


Construí o futuro que não precisava enfrentar


Brinquei, voei, cresci, aprendi


E na hora do jantar, tudo se apagou


A criança cresceu e o sonho por lá ficou.